O Espírito Caju

Por Alberto Signoretti

     Com uma família ligada ao sertão do Seridó Norte-Rio-Grandense há algumas gerações, Marinho teve sua infância ligada às fazendas, ao clima semiárido, à simplicidade e à força do povo Potiguar do campo, que vive da terra e dos animais que nela criam.

     Uma coisa que sempre esteve na mente do Marinho foi o empreendedorismo, mesmo ele, criança ainda, sem saber que o nome que se dava à criação de oportunidades para ganhar um dinheirinho se chamava assim. A cabeça dele não para! O cara é rápido e esperto como os vendedores de feira. Os vendedores de feira, como assim? Pensei que ele seria esperto como um grande Diretor de Marketing... Você já tentou negociar qualquer coisa numa feira? Seja do lugar que for, da nacionalidade que for, se você quer aprender a vender, tens que aprender na feira! Na feira, Marinho é “O” cara...

     Já na capital, Natal, a veia empreendedora não ficou para trás. Ele foi de negócio em negócio, sempre em busca de algo que o fizesse realmente feliz. Foram vários, sempre criando uma equipe super alinhada ao atendimento das necessidades dos clientes, e dando valor às pessoas que com ele trabalhavam. Ele nunca foi de ficar em escritório, era de pôr a mão na massa, ensinando e aprendendo com a sua equipe. Um homem com uma visão e tanto, pois só agora se começa a falar em liderança compartilhada e em empresas autogeridas. Com ele, todos os negócios foram dessa forma...

    Ao comprar um pequeno sítio em Ceará Mirim, a 35 km da capital, que era para servir como um Hobbie, ele encontrou novamente a ligação tão forte com o seu passado... Passar de Hobbie para negócio foi um pulo... Começou a comprar gado Gir para a produção de leite, sendo essa uma história para ele mesmo contar, pois eu fiquei pasmo com o tamanho do risco que ele e a esposa assumiram em prol de colocar o sonho no ar. Deu tudo certo e a Fazenda Caju começava a funcionar.

    Mas, como eu aprendi com ele, vender só o leite não dá retorno satisfatório, especialmente com rebanho pequeno. Este é o caso da grande maioria dos pequenos criadores do Nordeste. Lembra que eu disse que ele é um cara de visão? Pois é, partiu em busca de agregar VALOR ao produto para poder obter maior rentabilidade. Se tem leite, façamos o queijo que, com ele, a lucratividade aparece.

    Papo de Startup em pleno sítio? Esse é o tipo de conversa que se tem com esse cara.

    Ora, se é pra fazer queijo, “O” cara não consegue ficar no que todos fazem, precisa aprender a fazer diferente e melhor pois a cabeça não para. Se é para aprender, tem-se que buscar o melhor e foi o que ele foi procurar. Mas fazer queijo de pouquinho não traz lucratividade, se precisa de uma queijeira, então, vamos aprender a construir uma queijeira...

    Ora, se é para construir uma queijeira, “O” cara não consegue focar se não for no melhor, vamos construir para certificar, ser a primeira queijaria de queijo vivo certificada no RN e assim vender para o Estado todo...

Ora, se é para vender para o RN, então vamos atrás do selo “A” para vender para o Brasil todo (em processo de obtenção) ...

    Já deu para entender que ele não vai parar, né?

    Nesse caminho todo, o que mais Marinho aprendeu foi a ensinar. Ele viu, na prática, o que a maioria dos mestres nos diz desde a tenra infância e a maioria de nós deixa passar: ensinar é a melhor maneira de APRENDER. Ou seja, além de ajudar o próximo, você ajuda a si mesmo! Isso é um ciclo virtuoso que Marinho tem no sangue... Já veio impresso no seu DNA.

    É esse o Espírito que a Fazenda Caju deseja propagar e fazer crescer!

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“Replique o conhecimento, crie comunidade e cresça junto!”